1.11.09

Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.
Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.
Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.
Virei-me sobre a minha própria existência, e contemplei-a
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.
Ó meu Deus, isto é a minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera...
Cecília Meireles
(Foto José Ferreira)
14.10.09

Parte da sua vida, foi vivida num circo com carroceis, palhaços, cavalos brancos, magia, espelhos distorcidos e muitas, muitas questões de criança sobre o Mundo lá fora…
De vez em quando ela saía , segurando uma corda que prendia ao seu cordão umbilical .
Queria ir mais longe mas tinha medo de perder de vista o circo e nunca mais o encontrar
Lá fora , as pessoas não sorriam , caminhavam de olhos no chão, parecendo pesadas, doentes e cansadas,
Matilde não queria viver assim ! Recusava-se a aceitar a predisposição com que elas alimentavam os seus lamentos e tentava ajuda-las , chamando-as aos circo.
Pintou um sol na porta da entrada mas elas passavam e não o viam.
Pareciam hipnotizadas pela escuridão da noite …
Embriagavam-se, gritavam, agrediam-se, matavam-se …
Ela não conseguia perceber porque choravam , depois de se matarem uns aos outros , nem porque pediam a Deus que as acompanhasse a ultima morada.
O mundo lá fora era estranho, as pessoas eram estranhas e o seu cordão tendia a partir-se …
Despertava nela a urgência de encontrar novos circos. Existiriam mais alem do seu ? A curiosidade empurrava-a , puxava-a, empurrava-a …
Fechou os olhos , inspirou fundo e partiu rumo a rumos...
A viagem avistava-se difícil e longínqua. Nunca tinha andado de comboio e quando este deu sinal de partida , as pessoas pisaram-se e empurraram-se, numa tentativa desesperada para entrar.
Matilde não foi a ultima porque atrás de si, estava um senhor, cuja aparência calma, lhe era familiar.
Entraram para o mesmo compartimento e depois de uma hora de viagem , ela toca-lhe no braço e pergunta-lhe se conhece algum circo.
Este responde-lhe que sim mas que foi há muito tempo e que nunca mais teve a sorte de encontrar outro .
Matilde apetecia-lhe conversar, mas percebe que ele prefere dormir e decide fazer o mesmo.
Quando acorda está sozinha com uma carta a seu lado :
“ Querida Matilde
Volta para casa e pinta os teus Sois
A rua está deserta
Os mendigos já não choram “
Assina: Teu pai
De vez em quando ela saía , segurando uma corda que prendia ao seu cordão umbilical .
Queria ir mais longe mas tinha medo de perder de vista o circo e nunca mais o encontrar
Lá fora , as pessoas não sorriam , caminhavam de olhos no chão, parecendo pesadas, doentes e cansadas,
Matilde não queria viver assim ! Recusava-se a aceitar a predisposição com que elas alimentavam os seus lamentos e tentava ajuda-las , chamando-as aos circo.
Pintou um sol na porta da entrada mas elas passavam e não o viam.
Pareciam hipnotizadas pela escuridão da noite …
Embriagavam-se, gritavam, agrediam-se, matavam-se …
Ela não conseguia perceber porque choravam , depois de se matarem uns aos outros , nem porque pediam a Deus que as acompanhasse a ultima morada.
O mundo lá fora era estranho, as pessoas eram estranhas e o seu cordão tendia a partir-se …
Despertava nela a urgência de encontrar novos circos. Existiriam mais alem do seu ? A curiosidade empurrava-a , puxava-a, empurrava-a …
Fechou os olhos , inspirou fundo e partiu rumo a rumos...
A viagem avistava-se difícil e longínqua. Nunca tinha andado de comboio e quando este deu sinal de partida , as pessoas pisaram-se e empurraram-se, numa tentativa desesperada para entrar.
Matilde não foi a ultima porque atrás de si, estava um senhor, cuja aparência calma, lhe era familiar.
Entraram para o mesmo compartimento e depois de uma hora de viagem , ela toca-lhe no braço e pergunta-lhe se conhece algum circo.
Este responde-lhe que sim mas que foi há muito tempo e que nunca mais teve a sorte de encontrar outro .
Matilde apetecia-lhe conversar, mas percebe que ele prefere dormir e decide fazer o mesmo.
Quando acorda está sozinha com uma carta a seu lado :
“ Querida Matilde
Volta para casa e pinta os teus Sois
A rua está deserta
Os mendigos já não choram “
Assina: Teu pai
( Foto Autor desconhecido)
26.9.09

Instante
Deixai-me limpo
O ar dos quartos
E liso
O branco das paredes
Deixai-me com as coisas
Fundadas no silêncio
Sophia de Mello Breyner Andresen
13.9.09

Tudo em ti era uma ausência que se demorava:Uma despedida pronta a cumprir-se.
(Foto Autor desconhecido)
14.8.09

O que me apetece fazer?
Adormecer numa choupana, com os pés descalços ao vento, sentindo a eternidade do teu amor , no meu desejo de amor …
Adormecer numa choupana, com os pés descalços ao vento, sentindo a eternidade do teu amor , no meu desejo de amor …
(Foto autor desconhecido)
7.8.09

Os confrontos obrigam-me a assumir uma “cegueira” abismal…
Nesta coragem aparentemente cega, aparentemente desmedida e aparentemente incapaz de enfrentar o que me ameaça, pergunto-me do que serei capaz! Se serei capaz…
A vida parece um palco oscilante entre o paraíso da coragem e o inferno do medo...
A “loucura” é vasta…
Filmo-a e represento-a num espírito que ultrapassa o teu olhar…
Quero-te vivo ou morto! Sem esse meio termo entre uma coisa e outra…
Não te quero passado em lençóis de pano morno e falsa coragem…
Quero saber-te como o livro que não escrevi, sendo mais que palavras , gestos e promessas que não foram cumpridas …
Nesta coragem aparentemente cega, aparentemente desmedida e aparentemente incapaz de enfrentar o que me ameaça, pergunto-me do que serei capaz! Se serei capaz…
A vida parece um palco oscilante entre o paraíso da coragem e o inferno do medo...
A “loucura” é vasta…
Filmo-a e represento-a num espírito que ultrapassa o teu olhar…
Quero-te vivo ou morto! Sem esse meio termo entre uma coisa e outra…
Não te quero passado em lençóis de pano morno e falsa coragem…
Quero saber-te como o livro que não escrevi, sendo mais que palavras , gestos e promessas que não foram cumpridas …
(Foto autor desconhecido)
26.7.09

Não lerás o meu prazer!
Utilizarei uma arma até que levantes a bandeira branca!
Utilizarei uma arma até que levantes a bandeira branca!
Exijo-te a paz de um abraço terno …
(Foto autor desconhecido)
